Viva a independência!
A rua central se alargou de entusiasmo para receber na tarde de hoje (06/09) o desfile cívico em homenagem ao dia da Independência do Brasil. O desfile que teve como tema “Educação Direito Seu, Responsabilidade de Todos”, foi expressamente representado pelas escolas estaduais, municipais e privada, exceto o mais populoso colégio de Acari, a Escola Estadual Dr. José Gonçalves de Medeiros, que não deu seu “Grito do Ipiranga”.
Abastecidas de criatividades, as escolas acarienses emocionaram o público que prestigiava o desfile. Várias foram às temáticas desenvolvidas de acordo com o tema proposto, as escolas levaram para a rua não somente sonhos de uma educação igualitária, mas o desejo de um país menos preconceituoso e mais solidário.
Diante das apresentações, uma mulher de aparência simples emocionou os presentes e ganhou certamente o troféu de humildade e de solidariedade, apanhando com uma pá, as fezes depositadas pelo cavalo que trazia a representação de D. Pedro, em frente ao largo central das apresentações.
Já no final do desfile uma grande confusão de sons e ecos misturou-se e entristeceu o semblante de quem não estava ali inconscientemente. O som que ecoava de uma banda marcial que participava do desfile fazia jus muito mais a época carnavalesca do que o dia da Pátria. “O amor me pegou puro e verdadeiro, pra durar, vai durar, pra lá de fevereiro, para quando chegar a festa junina, você vai se lembrar da gente em Ondina, CACHAÇA!”. Coincidentemente a bandeira nacional, símbolo que representa o nosso país, timidamente se recolheu.
Um dia a mais...

A viagem é incomoda e o barulho parece ofender minha alma desconsolada pela noite fugaz. O caminho que me trás de volta dura uma eternidade apinhado de ilusões e quimeras. Nesse ônibus tudo é trepidação e os sonhos navegam junto com o mau humor e a repugnância que me atormenta impiedosamente. O barulho ronco do motor perde a força e segue poluindo a natureza que de virgem não tem nada. Aqui tudo me atormenta!
Pronto, cheguei! Em casa? Que nada...
Os sinos da igrejinha de Nossa Senhora da Conceição anunciam meia noite. Dou-me conta, que horas vindouras tenho que aturar sentada no prostíbulo da sustentação econômica de dezenas de garotinhas sem anseios e sem perspectivas nenhuma. Trata-se da rodoviária de Jardim do Seridó. Tempo em tempo olho pra o relógio, os ponteiros estão adoentado e precisam de entusiasmo para trabalhar. Dessa vez, nem mesmo Shirley Petachi, um traveco chistoso que ocupa nosso tempo com suas anedotas engraçadas e com o seu bom humor estava presente.
Dei-me um cafezinho seu Raimundo! A lanchonete ainda esta aberta. A aurora reina adentro, é hora dos de pouco juízos ganharem à rua em busca de alento, por aqui chega um e outro, cada qual com seus apólogos. Hora é Nandinho, um doido astuto que tem medo de sapo, lá se vem Fátima de Moscôro, a pobrezinha anda atrás de remédio da listra preta, do lado de lá é Júnior, um maluco beleza, que de posse de um rádio passa a noite ouvindo inglês. Tem pirado de todo jeito! E nada do ônibus chegar.
Não bastasse minha inquietude o sono atormenta, nem mesmo uma piada bizarra é capaz de sossegar minha aflição. Opa! Uma estrela transfigura minha face, uma brisa suave tocou minhas madeixas. Foi um cochilo...
Daqui a pouco só resto eu, meu irmão e as muriçocas e esse ônibus não passa. Pois é, nessas alturas, não tem alto-estima, sonhos, cobiças, entusiasmos que sustente a vontade de conquistar uma vitória profissional. Já faz dez horas e meia que sai de casa em busca de abater mais um dia da vida acadêmica.
Esse desejo é traçado com muita dificuldade, mas já se passaram mil e noventa e cinco dias, uma eternidade pra quem tem que enfrentar as adversidades, as surpresas de cada dia e a aflição de cada espera e o dever cumprido de cada chegada em casa. Meu Deus! Não bastasse tudo isso ainda tem a ansiedade do depois. Do depois da conclusão, da finalização, do começo, do começo de um novo advento. Cada situação é um fato novo nesse lendário de acontecimentos em que estamos inseridos, a irritabilidade evidente que consome minha alma, é a adição de tarefas desempenhadas e de conflitos sociais que rodeiam nossa medíocre.
Por fim, cheguei! Pouco menos de cinco horas já estou de pé. Dessa forma vamos vivendo, porque de certeza não temos nada, o amanhã não é seguro, e talvez não sejamos mais estatísticas, outro mundo nos aguarda. Mas vale a pena conquistar, toda vitória é saborosa e agrada os descontentamentos, nessa vida vale somente enquanto estamos lutando.
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