Não fui à festa sertaneja realizada na fazenda Pitombeira domingo passado, mas as imagens e reportagens sobre o ajuntamento de vaqueiros, trabalhadores rurais e amantes da caatinga me incitaram durante toda a semana para produção textual de algo relacionado ao cotidiano do homem sertanejo.

 

O cotidiano do homem sertanejo

 

Foto cedida

 

A pele áspera da cor de barro esbraseada pelos raios escaldantes do sol do sertão é a marca principal do homem roceiro, que vive no meio da caatinga hiperxerófila do sertão potiguar. Não é preciso que o sol nasça por trás das cordilheiras para que o sertanejo inicie sua labutação de todos os dias. Junto com os raios matinais expelido pelo sol a cada amanhecer, revigoram-se as forças e a fé do homem rural que não cessa de pedir graças e proteção ao Deus dos céus.

 

Uma imagem sofrida de mãos calejadas, de pés maltratados, de alma simples e sem requintes. É preciso tão pouco para satisfazer as necessidades dessas figuras simplistas que compõe o cenário principal da vida rural. O trabalho braçal, a lida com o gado, o arado ou a lavoura em épocas de chuvas, são sinais de sobrevivência que sustentam limitadamente as famílias do campo. O corpo cansado e aturado dar a impressão que são acobertados pela camada de ozônio que os protege dos raios violentos do sol.

 

Mesmo com tantos traços e marcas de uma vida árdua e dura, travada pelas lutas a favor da sobrevivência nos sertões nordestinos, os sertanejos são felizes e esperançosos. A fé em Jesus Cristo e a confiança em Deus são sustentos para seguir o ofício que lhes foi confiado. Qualquer nuvem que se forma ou sinal que alimenta suas crenças são estímulos e expectativas de chuvas.

 

Homens revestidos de sabedoria popular, de inteligência e conhecimento ímpar. Não freqüentou escolas afamadas, mas os apriscos, as inchadas, os pastos, os gibões foram os melhores professores. Uma educação desprovida de qualquer avanço tecnológico, mas abastada de ciência popular que nem mesmo o tempo é capaz de apagar. Homens de corações generosos que traduz no olhar a sinceridade que a modernidade desconhece.

 

Dessa forma a vida sertaneja não se resume apenas em versos simples de cordéis, mas na história viva de uma vida que não é levada a sério pelas políticas públicas e nem tão pouco pelos dirigentes destas. É uma pena que a cultura sertaneja seja memorada apenas em festas de apartação, no entanto não é preciso ir tão longe para comprovar a coragem, a bravura, o trabalho e a honradez de uma figura simples que não precisou galgar esferas cobiçadas da sociedade para fazer e escrever a história de nossa região.

 

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, ACARI, Mulher, de 26 a 35 anos